Cinco países respondem por quase 65% das mortes pela nova gripe

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Cinco países –entre eles o Brasil– respondem por 64,8% das mortes pela nova gripe em todo mundo. Estados Unidos, Argentina, Brasil, México e Chile são responsáveis, no total, por 1.300 das 2.004 mortes registradas até esta sexta-feira (14). Os dados foram divulgados na página do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, da sigla em inglês), que se baseia em números dos governos e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os Estados Unidos lideram o ranking, com 436 mortes, seguidos por Argentina (404), Brasil (192), México (163) e Chile (105). No total, 55 países já registraram mortes. Dos 15 primeiros da lista, nove são latino-americanos –além dos quatro citados, estão Peru, Costa Rica, Paraguai, Uruguai e Equador. A única região do mundo que ainda não registrou mortes, segundo o ECDC, foi a Ásia Central.

A OMS mudou a estratégia de cálculos de mortes causadas pela nova gripe, e foi acompanhada pelo Ministério da Saúde brasileiro. A conta, diz a organização, deve ser feita por 100 mil habitantes. Dessa forma, é possível saber a taxa de mortalidade da doença por país.

Por esse critério, o Brasil tem 0,09 morte por cada 100 mil habitantes. A Argentina tem o maior índice entre todos os países (1,00, número atualizado com o total de mortes registradas no país), seguida por Uruguai (0,65) e Costa Rica (0,61).

Segundo César Carranza, professor da Universidade de Brasília e médico do Hospital Universitário, o tamanho da população destes países e a capacidade de registros dos casos ajuda a explicar os números. “No hemisfério norte, por exemplo, os casos foram basicamente na temporada anterior, de frio”, afirma.

 

Apesar disso, países que têm população maior que alguns dos cinco líderes do ranking registraram menos mortes. É o caso, por exemplo, da Malásia, com 27,4 milhões de habitantes e 56 mortes. Para efeito de comparação, o Chile, que tem uma população de 16,9 milhões, conta 105 mortes. Os dados demográficos são do IBGE.

Fatores

O pesquisador do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP), Vicente Amato Neto, aponta três fatores para o número de casos nos cinco países: o clima, a detecção precoce da doença e a eficácia das medidas de combate à nova gripe. Apesar disso, ele considera o caso americano uma “contradição.” “As temperaturas voltaram a subir lá e o número de casos continua alto”, afirma.

Em nota divulgada pelo ministério brasileiro na quarta-feira (12), o diretor de Vigilância Epidemiológica, Eduardo Hage, diz que o número de mortes preocupa o governo, mas que não há motivo para pânico. “O governo lamenta cada morte, mas lembra à população que não há motivo para pânico. A doença, na grande maioria dos casos, apresenta sintomas leves. E a rede de saúde do país está preparada para isto: são 1.978 leitos de UTI, em 68 hospitais de referência.”

As secretarias da Saúde dos estados brasileiros também divulgam boletins oficiais sobre as mortes provocadas pela nova gripe e, em alguns casos, o número é maior do que o divulgado pelo Ministério da Saúde. Essa diferença acontece porque o governo federal precisa reunir todas as informações para consolidar e depois atualizar os dados nacionais.

Fonte: G1

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